A Internet das Coisas é uma tendência que vem se transformando em realidade cada vez mais rápido. São muitas as possibilidades que ela oferece, tanto para nossa vida cotidiana quanto para o mundo corporativo. Entretanto, no setor público, nem todo mundo compreende exatamente qual será o impacto dessa nova tecnologia.

Sempre que uma ferramenta inovadora surge, é preciso entender seu funcionamento e avaliar os benefícios de sua adoção. Pensando nisso, criamos este post para mostrar tudo sobre o uso Internet das Coisas no governo, seus impactos e como lidar com eles. Confira!

O que é Internet das Coisas?

Também conhecida como IoT (do inglês, Internet of Things), a tecnologia se baseia na ideia de dar a diversos dispositivos a capacidade de se comunicarem por meio da internet. Por intermédio de um sistema que capta os dados desses itens e mantém uma conexão com outros softwares, é possível realizar uma série de ações incrivelmente inovadoras.

Os eletrodomésticos se destacaram entre os primeiros exemplos de aplicação residencial da Internet das Coisas. Uma geladeira que conta com essa tecnologia, por exemplo, pode identificar os níveis de certos produtos que seu proprietário repõe com frequência e envia um alerta para seu smartphone quando aquele item está em falta.

De acordo com a configuração feita, ela pode até mesmo solicitar automaticamente a compra em lojas que oferecem esse serviço. Na direção oposta do tráfego de informações, o display da geladeira pode mostrar as notícias do dia ou sua timeline do Twitter.

Esse é apenas um exemplo de como a tecnologia vem revolucionando nossas vidas por meio da rede de comunicação entre dispositivos. A ideia é reduzir o limite entre o mundo físico e o digital. No ambiente industrial, já existem sensores que enviam em tempo real os dados de desempenho das máquinas para um software de gestão — os beneficiados vão desde a produção e manutenção até os times de vendas e marketing.

No setor público, diversas iniciativas ao redor do mundo comprovam que o potencial da IoT é realmente grande.

Como a IoT pode ser usada no governo?

A adoção da Internet das Coisas nos principais setores governamentais está intimamente ligada ao desenvolvimento urbano. Utilizando a tecnologia, os servidores adquirem os meios para analisar até mesmo os aspectos mais complexos do planejamento de uma cidade.

A IoT potencializa o levantamento de dados sobre questões de zoneamento, mapeamento, abastecimento de água e alimentos, transporte coletivo, serviços sociais, segurança e muitos outros. Esse uso inteligente das informações é a base do conceito de Smart Cities (Cidades Inteligentes).

Além de melhorar as políticas sociais, a Internet das Coisas aproxima os cidadãos desse processo. A ideia é que a cidade funcione de forma mais eficiente para a população — e a ação individual é essencial para isso.

Aplicativos de smartphone podem ser criados para que as pessoas interajam com determinados serviços que a IoT viabiliza. Visando mais segurança pública, por exemplo, um botão do pânico pode alertar as autoridades para uma emergência em determinado ponto da cidade. De uma base de ações, uma equipe pode acessar as câmeras de vigilância do local identificado e fazer uma pré-análise da situação e dar mais informações às viaturas que estão a caminho.

Já no caso do setor do transporte, um bom exemplo prático é o aplicativo que identifica a posição do ônibus em tempo real e prevê o tempo de chegada até o ponto. Vale destacar que, para esse tipo de serviço, é fundamental investir em pontos de rede Wi-Fi pública.

Não se trata apenas de um gasto a mais — é preciso compreender que essa participação ativa da população na interação com o sistema tem um valor incalculável. Cada vez mais, os serviços e sistemas da cidade podem ser otimizados, graças à tecnologia e à colaboração coletiva.

Existe algum risco na implementação?

Assim como ocorre com qualquer investimento no setor público, a IoT exige certos cuidados para garantir a eficiência esperada. Questões como o risco à privacidade e segurança devem ser levados em consideração, para que não haja lacunas nas políticas de adoção desses sistemas.

De acordo com o objetivo específico de cada projeto, certas informações podem estar em jogo. Se um cidadão aceita os termos de uso de um aplicativo de segurança que tem acesso à sua localização (via GPS), por exemplo, é preciso garantir que esses dados estejam bem protegidos.

A cibersegurança é um assunto extremamente importante e que deve ser levado a sério. Sistemas digitais de setores públicos precisam de camadas sólidas e confiáveis de proteção. Um vazamento de dados ou uma invasão a um sistema de controle de semáforos, por exemplo, pode resultar em uma grande tragédia.

Entretanto, a ampla variedade de benefícios que a IoT pode trazer faz com que seu uso possa ser feito com eficiência — desde que haja o devido planejamento e a segurança necessária.

Em geral, os maiores riscos são causados não por falhas no sistema, mas pela falta de consciência sobre os perigos por parte de quem gerencia. Portanto, é preciso estar atento e implementar sistemas de controle de acesso com usuário e senha, firewalls e antivírus profissionais nos servidores, backups etc.

Qual é a proposta do Plano Nacional de Internet das Coisas?

Em Outubro de 2017, o governo federal anunciou o Plano Nacional de Internet das Coisas. Sua base foi um estudo preliminar que identificou quatro verticais prioritárias que receberão os primeiros serviços voltados à melhoria da qualidade de vida da população por meio da tecnologia.

Cidades, Saúde, Agronegócio e Indústria são os pontos de partida do projeto, que prevê a aplicação das novas políticas para o período entre 2018 e 2022. Um exemplo prático de aplicação, além dos citados anteriormente, é a utilização de drones para identificação de pragas e condições climáticas adversas nas plantações.

Nas cidades, o plano deve atingir prioritariamente setores como os de transporte, segurança, gestão de recursos naturais e aperfeiçoamento dos serviços públicos.

Como começar a lidar com a IoT no papel de servidor público?

A iniciativa para implementação da Internet das Coisas depende exclusivamente do planejamento e das necessidades de cada região ou cidade. Em geral, os primeiros movimentos devem ser feitos por meio de convênios ou Parcerias Público-Privadas (PPPs). Afinal, as empresas já oferecem a tecnologia e o conhecimento técnico necessário para iniciar um projeto.

Entretanto, mesmo em atividades mais pontuais, é possível começar a lidar com a IoT e aperfeiçoar os serviços oferecidos pela cidade. O ponto está na conscientização do servidor público sobre seu papel de agente de transformação. A melhoria pode partir de qualquer ponto, desde que todos colaborem e busquem novas soluções para processos que estejam se tornando obsoletos.

Em Barcelona, por exemplo, surgiu a ideia de implementar sensores nas lixeiras públicas para monitorar a quantidade de lixo depositado e otimizar a coleta. Já na cidade de Itatiba, no estado de São Paulo, as lâmpadas fluorescentes de iluminação pública vem sendo substituídas pelas de LED e ligadas a sensores de presença para economizar energia.

A integração entre dispositivos também deve ser levada em conta. A cidade de Tel Aviv, em Israel, desenvolveu um projeto bastante interessante de utilização das redes de iluminação LED para instalação de câmeras de segurança inteligentes. Resultado disso: o tempo de ação policial diminuiu de cerca de quinze minutos para dois minutos.

Lembre-se de que a questão da conectividade está enraizada nos principais projetos de Smart Cities. Com conexão disponível, o cidadão passa a ser um colaborador no processo de otimização dos serviços.

Faça já uma análise em seu setor e veja como a tecnologia pode beneficiar tanto a gestão quanto a população. A utilização da Internet das Coisas no governo é uma tendência que deve ser adotada mundialmente, e o Brasil já vem se movimentando para facilitar esse processo!

Gostou do post? Então saiba mais lendo nosso artigo sobre o futuro do trabalho de um servidor público!