Responsável por uma grande revolução em diversos setores do mercado, o termo disrupção vem se tornando foco de muita discussão. O conceito faz referência a ações que criam novos produtos, serviços e grupos de consumidores, desestabilizando a estrutura que predomina atualmente naquele nicho, obrigando as empresas a se reinventarem.

Entretanto, quando o assunto é o setor público, é natural que surjam algumas dúvidas sobre o impacto que isso trará. Afinal, o que muda com a popularização de uma cultura de disrupção governamental?

Criamos este post para tirar as suas dúvidas sobre o assunto e mostrar como o conceito pode ser implementado. Confira!

Conheça o governo experimental

Quando falamos de disrupção, o objetivo é muito maior do que simplesmente praticar brainstorming e implementar ideias inovadoras. Estamos falando da automatização desse processo, criando meios para gerar continuamente novas propostas, além de testá-las e, por fim, implementá-las.

Os Laboratórios de Inovação em Governo são um ótimo exemplo disso. Já presentes em diversos países, esses centros começaram a ser criados no Brasil recentemente, visando o desenvolvimento de protótipos de iniciativas governamentais.

Em São Paulo, o iGovLab e o MobiLab já trabalham na busca de soluções mais eficientes para políticas de gestão estadual e a mobilidade urbana, respectivamente. São 2 exemplos de iniciativas de governo experimental, na qual a inovação é o objetivo principal mas que não deixa de passar por uma fase de testes para avaliação de sua eficiência.

A criação dos laboratórios segue uma tendência já vista em diversos países, como mostra o iGovSP. É possível trabalhar com disrupção governamental focada em saúde, educação, práticas de administração pública, atendimento ao cidadão etc.

São incontáveis os setores que podem se beneficiar. Basta identificar o ponto a ser melhorado e adotar o desenvolvimento de protótipos a serem implementados, como esses laboratórios vêm fazendo.

Considere o cidadão como um expert

A participação do cidadão nos processos de gestão sempre representou um grande desafio para o setor público. Afinal, como envolvê-lo nessas práticas? Indo além, como utilizar o conhecimento técnico específico das pessoas no aprimoramento dos serviços oferecidos para a sociedade como um todo?

Com a revolução digital e a possibilidade de conectarmos as pessoas de qualquer lugar do mundo a um único ambiente digital, passa a ser possível incentivar projetos de colaboração. O cidadão ganha cada vez mais poder de ação, colocando em prática sua expertise para oferecer soluções das quais o governo necessita.

Os limites da relação entre setor público e cidadão estão sendo redefinidos por essa nova visão sobre a população. Muitas pessoas são experts em suas áreas de atuação profissional, representando um recurso humano que pode ser aplicado.

Uma prática que vem sendo amplamente adotada ao redor do mundo é a de buscar especialistas para dar treinamento a funcionários públicos. Cientes de sua capacidade e visando colaborar para a formação de órgãos governamentais mais eficientes, diversos profissionais assumem a prática como uma forma de participar diretamente da gestão pública e beneficiar a sociedade.

Outro exemplo é convidar especialistas para uma discussão a respeito de questões pontuais, algo que pode ser feito nos laboratórios citados anteriormente. No Reino Unido, a prática se mostrou frutífera para levantar ideias relacionadas a serviços de alimentação, saúde e transporte.

Ao contrário das pesquisas públicas, esse tipo de iniciativa coloca o cidadão no papel de colaborador para deliberações do governo, e não um simples consumidor.

Um dos benefícios a curto prazo é o aumento da confiança no trabalho da gestão pública.

Aprenda a lidar com máquinas

Em um mundo cada vez mais tecnológico, não dá para ignorar a importância da combinação de conhecimento humano e ferramentas inovadoras. Afinal, a automação de determinados processos possibilita o direcionamento do trabalho humano para ações de gestão que exijam tomadas de decisão específicas.

Alguns exemplos podem mostrar com mais clareza de que forma isso ocorre na prática, começando pelo aplicativo climático adotado pelos Emirados Árabes. Conectado a uma série de sensores espalhados pelo deserto e satélites que coletam dados em tempo real, o software envia uma mensagem de alerta sempre que há o risco de uma tempestade de areia, por exemplo.

Mudanças climáticas que podem prejudicar cidades ou mesmo pessoas — caso elas tenham problemas de saúde — são informadas imediatamente. O cidadão deixa de ser apenas um número e passa a ser reconhecido pelo governo como indivíduo único, podendo contar com um serviço customizado de acordo com suas necessidades.

O mesmo se aplica, por exemplo, a sistemas de alerta de terremoto no Chile e em outros países que sofrem com esse tipo de evento.

A ascensão do Big Data, do Machine Learning e da Cloud Computing exige que os profissionais da gestão pública aprendam a lidar com máquinas o quanto antes. A integração dessas tecnologias com aplicativos para computadores — e até mesmo smartphones — deve ser posta para trabalhar em prol do governo.

Esqueça os limites geográficos (e de departamentos)

A principal vantagem da disrupção governamental é proporcionar continuamente a melhoria dos serviços públicos, dando a eles mais eficiência sem aumentar seu custo. Como dissemos, há uma tendência de desestabilização de certos setores. No caso da gestão pública, isso deve modificar a forma como lidamos com certos processos, a começar pelos limites geográficos e de departamentos.

Com a integração de ideias em busca de um objetivo específico, a otimização dos serviços passa pela necessidade de unificar determinados processos. Em outras palavras, muitas vezes é preciso melhorar a comunicação entre diferentes órgãos de gestão pública para lidar com uma questão que é de interesse mútuo.

As parcerias público-privadas são um bom exemplo disso. Com a possibilidade de implementar recursos de determinadas empresas para oferecer um serviço de maior qualidade à população, cabe ao setor público o planejamento disruptivo, que busca no mercado quem oferece soluções mais inovadoras.

Sabemos que as ações do governo estão sujeitas a diversas limitações legais, burocráticas, institucionais etc. Ainda assim, é preciso desenvolver formas de evitar que esses fatores impeçam o avanço dos projetos inovadores.

Se a forma de atuar na gestão pública tende a ser modificada pela obsolescência de certas práticas, é fundamental que os órgãos busquem uma aproximação entre si, assim como engajar cidadãos e empresas nessas atividades.

Como você pode ver, a disrupção governamental é uma tendência que veio para ficar. Faça uma avaliação em seu setor e busque por soluções inovadoras para inovar cada vez mais!

Quer saber mais sobre o assunto? Então conheça os 6 maiores desafios da gestão de políticas públicas!